terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Encontro Nacional de Ateus

No dia 12 de fevereiro de 2012, será realizado o 1º Encontro Nacional de Ateus, através de organizadores locais. Vinte e dois Estados já confirmaram o evento.

A data foi escolhida por marcar o Dia do Orgulho Ateu e em homenagem ao aniversários de um dos maiores cientistas e evolucionistas de todos os séculos: Charles Darwin.

Lembramos que  1º Encontro Nacional de Ateus não é um dia destinado apenas à ateus: céticos, agnósticos ou qualquer um que preze pelo uso da razão, será mais do que bem vindo.
Contamos com o apoio de importantes organizações e blogs do Brasil, como a Liga Humanista, ATEA, Ateus do Brasil, Ateísmo pelo Mundo, Paulopes, Troll Divino e  Sou Ateu Brasil, organizando conosco na cidade de São Paulo; contudo não somos patrocinados, portanto, a Sociedade Racionalista é responsável por todo o orçamento da organização e realização do evento.

Além do Distrito Federal, os estados confirmados até agora são: Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Pará, Maranhão, Santa Catarina, Paraíba (capital e Campina Grande), Pernambuco, Sergipe, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro (capital e Volta Redonda).

Dizem que a única coisa em comum entre dois ateus é o fato de que ambos não acreditam em divindades. Isto não poderia ser mais coerente, porém, com esse encontro, tentaremos unir um grupo que parece estar isolado pelos mais diversos motivos, além de mostrar que os ateus são uma parcela significativa da sociedade, que tem voz e que quer ser ouvida. O evento é uma oportunidade de confraternização e troca de ideias e experiências. Todo o encontro será registrado através de vídeos, fotos e relatos escritos, que serão divulgados na página do evento.

“Apenas é igual a outro quem prova sê-lo e apenas é digno da liberdade quem a sabe conquistar”— Charles Darwin

domingo, 6 de novembro de 2011

Mas que religião será essa?

Estória verídica!
Aconteceu comigo hoje (03-nov-2011), à tarde.
Eu levei minha mãe ao médico. Clínico geral, só para pegar uma carta avaliando a possibilidade de ela realizar uma cirurgia no joelho.
Ela explicou ao médico (um senhor de aparência nipônica e sotaque hispânico, aparentando mais idade e problemas do que ela) os motivos da visita, ele ouviu e opinou em algumas coisas, receitou uns remédios para dor, aquelas coisas de praxe.
Não sei por que raios, mas chegou uma hora em que ele, interessado nos aspectos psicológicos de minha progenitora, começou a perguntar se ela estava nervosa ou preocupada com alguma coisa. Achei que se tratava de um profissional mais detalhista, preocupado com o bem estar do paciente; até aí, tudo bem.
Ela e eu respondemos mais algumas perguntas, sobre o nosso cotidiano familiar e eis que o tal médico começou:

"Seu problema é que você tem muito medo da morte, está muito apegada! Se apega aos animais, ao filho, ao marido. Quer saber, pare de tomar remédios!"

Nisso, eu já pasmei, mas consegui disfarçar... Ele continuou:

"A morte não existe!"

Pensem na minha cara ao ouvir isso, só pensem... E minha mãe séria, ouvindo atentamente:

"Você está aqui na Terra..."

(agarra um receituário e começa a desenhar um círculo)

"Um dia você morre, mas... você não morre! Sua alma sai daqui... "

(começa a desenhar uma reta, que leva a outro círculo)

"E vem um anjo... Ele tem asas, mas não são asas de pássaros. São asas eletromagnéticas, para te proteger durante a viagem! Ele pega sua alma aqui e viaja para este planeta."

(coloca um nome bizarro no outro círculo, não me lembro qual, pois já estava me contorcendo para não explodir em gargalhadas)

“O anjo viaja a três vezes a velocidade da luz!”

(o.0)

“Mas a viagem dura três anos! Daí, você acorda aqui, neste planeta e percebe que está sem a sua família, pergunta por eles. Daí, vem um outro anjo, o seu anjo da guarda, e você descobre que morreu, mas, lembre-se, você não morreu, só veio para cá!”

(0.o)(minha mãe ouvindo tudo, séria)

“Você fica neste planeta, que é muito mais lindo que este nosso. Lá, ninguém é gordo, ou magro, ou feio ou doente, todo mundo é bonito.”

(o.0)

“Você não come, não faz cocô. Só bebe um líquido, que tem lá. Esse líquido é de graça, ninguém tem que trabalhar!”

(legal!)

“Mas você chega aqui com todos os seus defeitos. Depois, você vai evoluindo, e muda para este outro planeta. Depois, para este...”

(desenha outro círculo, depois outro e outro, até completarem sete)

“Menos as crianças. Quando uma morre, ela vem para este planeta aqui...”

(desenha um círculo maior no meio dos outros)

“Depois que os pais dela morrem, eles pegam elas aqui e vem para cá.”

(voltamos ao primeiro círculo)

“Quando você chega aqui, neste último planeta, que é bem melhor que o primeiro, você já está bem evoluído, bem perto de Deus. Daí, você vem para este outro planeta...”

(desenha mais um círculo, bota outro nome estranho)

Nesse ponto, eu desisti e comecei a apressar o médico, que ainda insistiu em dar uma receita de remédio homeopático (suspeitei desde o princípio!), e arrumei um jeito de me mandar com ela, antes que ele começasse a descrever a fauna e a flora dos nove planetas!

Continuo pensando: que religião será essa?


sábado, 29 de outubro de 2011

O Ateísmo Pelo Mundo acabou?

Não! Bem, faz tempo que eu não posto aqui, mas não aposentei o blog. Quando eu criei o blog, a ideia era postar os meus textos que já estavam escritos, alguns textos que estão postados aqui, são idéias antigas, até mesmo de anos atrás. E isso foi cumprido!

Mas isso não quer dizer que eu não vou mais postar conteúdo aqui.  Pra quem me conhece, sabe que eu estou com outros projetos, tanto virtuais como pessoais, como a Sociedade Racionalista, Ateu e à toa, Ateus do Brasil e etc, esses projetos tem tomado praticamente todo o meu tempo. Mas eu não me esqueci do Ateísmo Pelo Mundo, a falta de tempo para escrever é um dos meus grandes problemas. Assim como dos outros editores.

Mas o blog não vai acabar, espero ter mais tempo para escrever nesse fim de ano, e continuar postando aqui diariamente, como eu fazia. Peço desculpas aos leitores, primeiramente, por não ter avisado sobre esse ‘hiatus’, e peço desculpas aos que acompanharam aqui, pela falta de conteúdo nesses meses que passaram.

Prometo me esforçar e conseguir tempo para colocar minhas idéias no papel e voltar a postar aqui. Talvez eu até procure outro editor para compartilhar suas idéias no blog, e já venho conversando com uma pessoa, que a meu ver, seria a pessoa ideal para postar aqui.

Peço desculpas novamente aos leitores do blog, e espero voltar à ativa aqui o mais breve possível.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A religião católica e os Astecas


Para os europeus em meado do século XV, viajar pelo oceano Atlântico era uma tarefa perigosa, pois para os marinheiros o oceano era cheio de monstros e mistérios. Visto que muito pouco se sabia do oceano Atlântico, muitas histórias fantasiosas foram inventadas no decorrer do tempo. Como que em algumas partes desse mar existiam monstros marinhos (como hydras e grandes peixes) grandes cascatas e o verdadeiro ‘fim do mundo’ onde a água caia sem fim. Os primeiros paises que encarar esse oceano foram Portugal e a Espanha. Cada um deles seguiu seu próprio caminho para o desconhecido.

Portugal “achou” o Brasil, mas mesmo sua colonização agressiva, não foi possível limitar a religiosidade aqui, como se vê hoje, esse emaranhado de religiosidades, uma verdadeira festa de religiões.

A Espanha por sua vez encontrou mais desafios. Encontraram povos que já conheciam suas minas de ouro, que já tinham uma sociedade estruturada economicamente, politicamente e religiosamente. Nesse texto falarei um pouco sobre a colonização (ou exterminação, como preferir) dos povos nativos da América: os Incas, Maias e Astecas. Começarei então pelos Astecas:

No século XVI, os espanhóis organizaram algumas expedições para conquistas de novas terras. A expedição de maior destaque foi a de Hernan Cortez, que conquistou e destruiu o império asteca, na atual região do México.

Os astecas eram considerados o povo mais religioso dessa região. Sua religião era essencialmente astral, isto é, baseada nos astros, e foram absorvendo e criando deuses e rituais, o deus mais importante era Uitzlopochtli, que representava o sol do meio-dia.

O mais interessante foi como Cortez conseguiu conquistar esse império. O imperador asteca, Montezuma e seu povo imaginaram que Cortez e seus homens eram grandes deuses, por isso em vez de lutar e defender seu grande império, Montezuma mandou emissários com presentes para o colonizador Cortez, para assim manter a paz e a harmonia entre seu povo e os deuses. Mas os espanhóis, além de seus cavalos dispunham de outras armas de guerra, desconhecidas para o povo asteca.

Como os espanhóis estavam em menor número, eles procuraram conhecer bem a língua, a cultura daquele povo. Os astecas já conheciam o outro, assim Cortez fez Montezuma mostrar os mapas de seu império para conseguir acesso as lendárias riquezas do império asteca. O confronto entre espanhóis e astecas começou quando o colonizador Cortez teve de voltar em Vera Cruz e deixar as tropas em Tenochtitlán sob o comando de Pedro Álvaro. Em uma festa religiosa regional, Pedro manda fechar as porta do templo central e exterminar todos os nativos ali.

Foram totalmente massacrados, com mais de mil mortos. Mas os nativos conseguiram reagir, sob as ordens de Cuitlahuac, irmão de Montezuma. Enquanto o combate no templo seguia, a cidade também passava por outra crise: as doenças trazidas pelos europeus, como exemplo um surto de varíola que também ajudou os europeus na conquista (Até hoje é debatido se essa doenças trazidas pelos português foram propositais para ajudar na conquista do império Asteca), pois essas doenças eram desconhecidas para os nativos (Os anticorpos dos europeus eram mais avançados que dos nativos) e por isso eles não tinham defesa. No meio desses problemas o irmão do imperador Montezuma morreu.

Cortez com um exército de apenas 650 soldados, 194 mosqueteiros, 84 cavaleiros (Dá pra notar a diferença entre os povos por esses números) e milhares de nativo aliados, começou o ataque a Tenochtitlán. Visto que os guerreiros astecas não se deixaram vencer tão fácil e lutavam bravamente, Cortez invadiu a cidade e envenenou todas as fontes de água. Em 75 dias muitos astecas morreram e passaram fome. Os nobres de destaque foram torturados para assim poderem falar onde estavam os tesouros da cidade.

E diferente de algumas colônias, os espanhóis foram autoritários com a cultura asteca, acabando com todo e qualquer tipo de ritual, pelo fato dos espanhóis se depararem com povos de estruturas sociais complexas fez com que a Igreja percebesse “a dimensão da tarefa de evangelização que agora se exigia dela no Novo Mundo.”. Por isso, foi necessário que os espanhóis primeiramente conquistassem militar e politicamente os povos nativos daquela área para que depois fosse possível a missão evangelizadora da Igreja Católica.

Na Europa, pela segunda metade do século XV ocorreu a reforma protestante, e como os espanhóis não aderiam a reforma, acharam que na colônia espanhola dever-se-ia estabelecer o “cristianismo puro”, isento dos erros do velho continente, restaurando assim a Igreja primitiva, foi até estado na colônia o Concílio de Trento, que marcou a evangelização em toda América, sendo que foram impostas diferentes regras como, a título de exemplo, a liturgia que continuara a ser professada em latim e a restrição do acesso dos fiéis à palavra de deus.

Infelizmente, a violência da colonização espanhola acabou destruindo grande parte dessa rica cultura, a Igreja foi unânime e acabou com toda a religião e caçaram todos aqueles que a praticavam.

Bibliografia:
Caminhos das Civilizacoes Historia Integrada Geral e do Brasil - Jose Geraldo Vinci Moraes
A Igreja Católica na América espanhola colonial - BARNADAS, Josep M
A guerra da imagens e a ocidentalização da América” GRUZINSKI, Serge

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A Inquisição no Brasil Colônia #2


Esse tipo de comportamento na colônia também poderia ser fruto de uma administração mal organizada, ineficiente, a confusão de funções e competências, a complexidade dos órgãos, o excesso de burocracia faziam com que o poder estatal fosse praticamente nulo aqui, não imprimindo à sociedade nenhum tipo de senso moral coletivo ou noção de sociedade (Que já existia na Europa). A falência do estado permitia a ingerência da Igreja na formação de uma conduta moral rígida, e a Inquisição entra em cena na colônia praticamente quando a situação da moral, ou da falta dela já era consolidada na colônia e a imagem demoníaca da vida cotidiana estava vinculada à idéia de um mundo novo a ser civilizado.

A expansão do poder do papa sobre uma colônia em desenvolvimento, e a possibilidade de sua inserção no sistema católico é apontada como um dos fatores que levaram a Inquisição a estender seu braço sobre os domínios tropicais. Isso representaria a reprodução do estado português aqui na colônia, fato que deveria ocorrer em todas as instancias. Para garantir o poder de seu controle de repressão, o Estado e a Igreja dispunham entre outros artifícios dos sermões, onde eram transmitidas as idéias de céu e inferno, que aterrorizava os colonos com a possibilidade da danação eterna.
Porém, Anita Novinsky nos mostra outra visão referente ao assunto em detalhado estudo a partir da leitura dos processos que a “Santa” Inquisição realizou aqui no Brasil nos séculos XVI e XVII. Segundo dados recolhidos por essa autora, o principal crime de que foram acusados os brasileiros e portugueses residentes aqui no Brasil pela Inquisição, teria sido o da prática do judaísmo (Praticar o Judaísmo era considerado heresia), dos 1.067 prisioneiros relatados no livro, 46,13% dos homens e 89,92% das mulheres foram acusados de judaísmo o que nos obriga a acrescentar uma idéia à teoria de que além do Brasil ser uma terra sem leis e de certa forma carente de regras de moralização, era também terra de negócios lucrativos, e com a presença de cristãos novos oriundos da própria península.

Analisando os dados sobre as pessoas que foram denunciadas, presas, julgadas e sentenciadas (torturadas, humilhadas e mortas) podemos ver uma predominância de mercadores e agricultores (27,76%) sobre as outras ocupações liberais e artesãos (12,86%), o que pode demonstrar certa pré-disposição à procura de possíveis hereges nas áreas em que os judeus oriundos da Espanha, expulsos em 1492 pelos reis católicos, estavam mais presentes.
Esses boatos de prosperidade colonial também ecoavam na metrópole e isso pode ter aguçado a ganância dos reis Filipes que também sabiam da quantidade de comerciantes e senhores de engenhos bem estabelecidos na região, muitos até de origem judaica.Os cristãos novos que aqui estavam tinham ligações comerciais com os paises baixos, e os holandeses que estavam em guerra com a Espanha incomodavam a Coroa, que assumia o trono português em 1580.

Chegou a ser cogitado e estruturado em 1621 que se estabelecesse um tribunal da Inquisição no Brasil, assim como havia em Lima (1570), e no México (1571), mas o Brasil ficou livre não só do seu próprio tribunal, mas inclusive do auto da fé, espetáculo de execução e julgamento popular muito apreciado e repetido nos domínios do Santo Oficio.

“Eles vieram com uma Bíblia e sua religião – roubaram nossa terra, esmagaram nosso espírito… e agora nos dizem que devemos ser agradecidos ao ‘Senhor’ por sermos salvos.” Chefe Pontiac, Chefe Indígena Americano.


Bibliografia:
Brasil: É Muita História - Eduardo Bueno
Coleção: História Geral da Civilização Brasileira – Boris Fausto
A Inquisição - Michael Baigent

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Inquisição no Brasil Colônia #1

Depois da colonização no Brasil, a grande expansão do catolicismo foi marcada pela ação dos jesuítas nas tribos e nas populações nativas. Contudo, não podemos deixar de levar em conta que, como o Brasil sendo um lugar de encontro de várias culturas, o território brasileiro se tornou próprio para a prática de rituais religiosos e outras manifestações que iam contra os ensinamentos católicos. Muitas vezes, com a grande influência dos indígenas ou dos escravos africanos, os fieis católicos se desviavam de seus dogmas e recorriam a outras crenças.

A primeira visita do Santo Oficio chega no Brasil no fim do século XVI desembarcando na Bahia em junho de 1591, o desembargador Heitor Furtado de Mendonça chega e recebe grande pompa entre juramentos de fidelidade das autoridades coloniais, mas com a impressão causada pelas leituras dos relatos feitos por Nóbrega sobre o Brasil e seu povo, onde “não se guarda um só mandamento de deus e muito menos os mandamentos da Igreja”. A notícia da presença do Santo Oficio aqui no Brasil deixou a população em pânico. O Brasil era uma terra sem leis tanto religiosas, quanto administrativas.

A falta de fé e de obediência certamente representava para o poder do papa uma derrota no campo da “conscientização” (alienação) e da formação de uma sociedade que deveria ser adepta aos costumes católicos o que facilitaria a centralização do poder estatal, que estava aliado à Igreja, na reconstrução do modelo de estado português na  sua colônia. Sonia Siqueira afirma que a Igreja tinha interesse em “integrar o Brasil no mundo cristão” e descobrir “onde se calcava a fé de nossos moradores”.

A população colonial era em sua grande maioria analfabeta, desregrada, sofria com a falta de mulheres brancas (Um fato curioso é que com a falta de mulheres brancas, Portugal mandava para o Brasil grande parte das prostitutas que vivam em Portugal Sim, somos realmente filhos de putas) e realmente não se tocava às sublimidades dos ensinamentos da Igreja, diversas vezes ridicularizados e muito raramente seguidos. Podemos citar como exemplo rápido a ocasião em que mesmo antes das visitas, em 1546, Pero do Campo Tourinho, donatário da capitania de Porto Seguro foi denunciado à Inquisição de Lisboa simplesmente por ter dito que em suas terras quem mandava era ele, ele seria o “papa” e deus em sua propriedade, e não deveriam ser respeitados os domingos e dias santos, pois não se poderia perder dia de trabalho. Era comum aos colonos amaldiçoarem os santos e maldizerem os sacramentos. Aos jesuítas muitas vezes era necessário afastar os nativos dos colonos, para que esses não assimilassem ou copiassem seus hábitos e vice-versa, dada à visão demoníaca que inicialmente a Igreja fez da poligamia e do antropofagismo dos índios, e do proveito que tiravam os colonos dos nativos, que viram sua cultura, seu povo, sua vida sendo acabada pelos colonos.

As práticas que eram realizadas na colônia chegaram a ser tidas como uma doutrina, o “Ultra equinoxialem non peccatur”, a idéia de que não existia pecado ao sul do equador (Isso era até um ditado da época) onde colonos e degredados viviam às fornicações, sodomia, adultérios e incestos. Esses comportamentos fizeram alguns acreditarem que o próprio nome Brasil estaria associado a essa idéia, pois a figura da brasa quente como o inferno, vermelha como a madeira, produto que daria o nome ao país teria substituído o nome inicialmente adotado de “Terra de Santa Cruz”. (O nome dado à população do Brasil é brasileiro – Diferente, por exemplo, da Holanda, que são chamados de holandeses, ou em Portugal que são os portugueses – porque sufixo ‘eiro’ é ligado a um oficio ou um trabalho. Na época da colônia, os ‘brasileiros’ eram os traficantes de pau-brasil, sim além de sermos filhos de puta, nosso nome é derivado de pessoas que faziam o trafico na colônia).


Vou dividir esse post em dois pra não ficar muito cansativo de ler.

Bibliografia:
Brasil: É Muita História - Eduardo Bueno
Coleção: História Geral da Civilização Brasileira – Boris Fausto
A Inquisição - Michael Baigent

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A fé assassina.


Os cristãos medievais manifestaram ódio aos muçulmanos e aos judeus – sem dúvida nenhuma, um grupo estrangeiro naquela sociedade, dominada pela visão cristã, certamente seria atacado. Em 1096, bandos de cruzados massacraram judeus em cidades da França e Germânia. Em 1290 os judeus foram expulsos da Inglaterra; e em 1306, da França. Entre 1290 e 1293, expulsões, massacres e conversões forçadas quase ocasionaram a extinção da comunidade judaica do sul da Itália, que ali viviam há séculos. Na Germânia, tumultos selvagens levaram, de tempos em tempos, à tortura e assassinatos de judeus.

Vários fatores contribuíram para fomentar o anti-semitismo durante a Idade Média. Para os cristãos desse período, a recusa dos judeus em abraçar o cristianismo era um ato perverso, principalmente porque a igreja ensinava que a vinda de cristo havia sido profetizada pelo velho testamento. Esse preconceito estava relacionado com o relato da crucificação contido nos evangelhos. Na mente dos cristãos medievais, o crime de “deicídio” (Suposto assassinado de deus) maculara para sempre o povo judeu. As chamas do ódio eram atiçadas pela alegação absurda de que os judeus, ao derramarem o sangue de cristo, haviam se tornado sedentos de sangue, torturando e matando cristãos, sobretudo crianças, a fim de obterem sangue para seus rituais. Essa difamação difundiu-se amplamente e foi a causa de inúmeras violências praticadas contra judeus, embora os papas considerassem sem fundamento, também não faziam nada para mudar essa situação.

Outra razão da animosidade contra os judeus era o fato de que eles emprestavam dinheiro a juros. Cada vez mais excluídos do comércio internacional e da maioria das profissões, impedidos de ingressar nas guildas, e algumas regiões, de possuir terras, os judeus encontraram nessa atividade um meio de sobrevivência – praticamente o único permitido a eles. O empréstimo a juros, teoricamente proibido aos cristãos, suscitou o ódio de camponeses, clérigos, senhores e reis que recorriam ao dinheiro dos judeus.

A política da igreja com respeito aos judeus era de que não ser prejudicados, mas mereciam viver em humilhação – uma punição justa pelo decidiu e por sua persistente recusa em adotar o cristianismo. Assim, o IV Concílio de Latrão proibiu os judeus de ocuparem cargos públicos, exigiu que usassem um distintivo na roupa para serem identificados e ordenou-lhes que não saíssem às ruas durante as festividades cristãs, A arte, literatura, e educação religiosa cristã retratavam os judeus de maneira depreciativa, associando-os com freqüência ao demônio ou qualquer outra entidade da mitologia cristã dedicada ao mal, que para os cristãos medievais era muito real e aterrador.
Os judeus não eram considerados dignos de misericórdia e, de fato, nada do que lhes acontecesse era demasiado ruim. Profundamente gravada nas mentes e corações dos cristãos, a imagem distorcida dos judeus como criaturas desprezíveis perdurou na mentalidade infantil européia ate o século XX.

A despeito de sua posição desfavorável, os judeus medievais conservaram sua fé, expandiram sua tradição e erudição bíblica e jurídica e produziram uma prolífica literatura. O trabalho de tradutores médicos e filósofos judeus contribuíram significativamente para o florescimento cultural no apogeu na Idade Média.

O mais destacado erudito judeu desse período foi Moisés Bem Maimón (1135 – 1204), conhecido pelos gregos como Maimônides. Nasceu em Córdoba, Espanha sob o domínio muçulmano. Depois que sua família deixou a Espanha, Maimônides foi para o Egito, onde se tornou médico do sultão. Durante sua vida, notabilizou-se como filósofo, teólogo, matemático e médico. Foi reconhecido como o mais proeminente sábio judeu da época, e harmonizar fé com a razão (Se é que isso é possível) conciliar as Escrituras hebraicas e o Talmude (Comentário bíblico judeu) com a filosofia grega. Suas obras sobre temas éticos revelam piedade, sabedoria e humanidade.


Bibliografia: CIVILIZAÇAO OCIDENTAL - PERRY, MARVIN